Banner Notícia

FASA MOC RECEBE VENEZUELANOS NO DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E REFUGIADO

Reconhecer os direitos fundamentais dos refugiados no Brasil. Esta é a temática da Roda de Conversa, que acontece dentro do II Colóquio de Direitos Humanos: Diversidade Cultural, Étnico-Racial e Gêneros, que acontece no Teatro da Faculdade Santo Agostinho, dia 30 de setembro, durante todo o dia.

O evento, que também irá abordar outras temáticas, acontece após a Comemoração do Mundial do Migrante e do Refugiado (29), uma questão que dá margem ao debate sobre a solidariedade e o direito das pessoas que chegam ao Brasil em busca de uma nova vida.

E o caso de um grupo de Venezuelanos, acolhidos em Montes Claros há 09 meses. Já são cerca de 30 imigrantes refugiados recebidos aqui. Desde o mês de fevereiro a Casa de Acolhida Padre Pedro Arrupe no Bairro Maracanã recebe homens, mulheres e crianças em situação de refúgio e auxilia na adaptação no país.

O trabalho faz parte da obra da Companhia de Jesus (Jesuítas) através do  Projeto Acolhe Minas - uma rede solidária da sociedade civil em Minas Gerais, criada em setembro de 2018, que se articula para receber imigrantes e refugiados venezuelanos. Além do acolhimento, o projeto tem como propósito prestar orientações sobre a emissão de documentos, inserção no ambiente de trabalho e na sociedade.

Segundo o Padre Anísio Ribeiro, responsável pela Casa de Acolhida em Montes Claros, cerca de 19 venezuelanos já estão inseridos no mercado de trabalho e morando em suas casas.

“Dentre os acolhidos alguns chegam com boa qualificação e experiência profissional, contudo, incentivamos a que abracem qualquer trabalho como uma primeira experiência de trabalho em terras brasileiras. Neste sentido temos contado com ajuda de muitas pessoas de boa vontade que tem somado conosco neste trabalho. Seja dando oportunidade de um primeiro emprego, seja incentivando a outros neste acolhimento”, comenta Padre Anísio

Sobre a proposta do projeto Padre Anísio explica que a ideia é que, após a adaptação, eles possam se organizar para receber outros refugiados. “A proposta do programa consiste em que os migrantes fiquem conosco na Casa por um período de três meses. Em tese a cada três meses um grupo. Um tempo de adaptação e socialização, necessários para os primeiros passos nesta nova realidade. Passando os três meses, ou mesmo antes caso encontrem trabalho, vão aos poucos deixando a casa para que assim possamos ir preparando para receber a outros”, completa.

ACOLHIMENTO

A técnica em laboratório Milagro Rodriguez, de 43 anos, é uma das pessoas que recebeu acolhimento em Montes Claros, ela chegou em fevereiro, junto ao marido e o filho e já foi inserida no mercado de trabalho. A venezuelana alugou uma casa no Bairro Maracanã e trouxe parte da família para morar por aqui.

Mas, até conhecer os Jesuítas e vir para o Norte de Minas, Milagro passou por momentos difíceis junto aos familiares, em Roraima, primeira parada no Brasil.

“Em Roraima foi uma experiência muito ruim, havia muita xenofobia. Fizemos comida para vender e ninguém comprou porque somos venezuelanos”, conta Milagro

Casa de acolhidaCasa de Acolhida Padre Pedro Arrupe no Bairro Maracanã // Foto: Arquivo Pessoal

LEGALIZAÇÃO

O Brasil é um dos países que mais tem acolhido estrangeiros na situação de refugiados, nos últimos anos. A Milagro e a sua família já legalizou a documentação mas muitos ainda passam por dificuldades para ter o documento em mãos.

A legislação brasileira para refugiados passou por atualizações recentemente. Entre elas, está o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 13/2018 e a nova Lei da Migração. Esta legislação estará em debate no Colóquio da Faculdade Santo Agostinho.

SOLIDARIEDADE

O depoimento de Milagro e seus companheiros Venezuelanos que foram acolhidos em Montes Claros, poderá ser ouvido, no II Colóquio de Direitos Humanos: Diversidade Cultural, Étnico-Racial e Gêneros, que acontece no Teatro da Faculdade Santo Agostinho, dia 30 de setembro, durante todo o dia. Na programação palestras, mesas redondas e apresentações culturais.

A inscrição é gratuita e você pode doar 1 quilo de alimento não perecível que será encaminhado para a Casa de Acolhida Padre Pedro Arrupe.